
Tenho loucuras presas na garganta, fila de gritos que nascem doidos e morrem bonitos.
Dizer que o relógio mente e que a pressa é invenção de quem esqueceu de sentir o vento.
Que amar não tem hora certa, só tem coragem de acontecer no meio da bagunça.
Que saudade pesa mais que mala de mudança e mesmo assim a gente carrega sorrindo.
Que sonhar acordado é o único trabalho que paga em vida e não aceita demissão.
Que beijar na chuva não cura gripe, mas cura a alma de todo dia cinza.
Que dinheiro compra cama, mas nunca o sono tranquilo de quem tem paz no peito.
Que o mundo é grande demais pra caber em rotina pequena e medo apertado.
Que gritar teu nome no silêncio é a forma mais alta que achei de te trazer pra perto.
Que normal é só apelido da gente com preguiça de ser inteiro e barulhento.
Que errar de novo é só o destino lembrando que a gente ainda tá vivo.
Que planos são ótimos, mas improviso é onde a vida dá seu melhor espetáculo.
Que felicidade não avisa, invade a casa descalça e suja o tapete de alegria.
Que se for pra enlouquecer, que seja de amor, de riso e de vontade de recomeçar.
E que a maior loucura mesmo é guardar tudo isso calado quando o peito só quer dizer.