
Nos gabinetes ou nas secretarias se desenha
Promessa e voto trocados por cifrão.
Do contracheque alheio a mão se assanha,
E some o suor na sombra do salão.
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Nomeiam-se fantasmas, pura artimanha,
Pra devolver o pão que não é pão.
A lei que juram guarda, se desmancha
Nas contas do compadre e do irmão.
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O povo, que trabalha e que confia,
Sustenta o esquema em cada luz do dia,
Enquanto a ética vira mercadoria.
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Ó casa que devia ser espelho,
Lavai a lama antes do conselho,
Ou nunca mais tereis respeito e guia.