
Arde em meu peito um sol que não se apaga,
Brasa que o vento ousa e não desfaz.
É fogo antigo, língua que alaga
A carne, o verso, o tempo e tudo mais.
Crepita a noite quando a pele estala,
Faísca o riso, incêndio nos mortais.
Não pede abrigo, não conhece vala:
Consome o medo e cospe nos varais.
Se chove, dança. Se é silêncio, canta.
Se o mundo esfria, ele se agiganta.
É deus sem templo, lei que se improvisa.
E quando eu for só cinza e despedida,
Que reste a prova de que tive vida:
No chão do corpo, a marca da brisa.