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5 3 7 5 O SILENCIO DE NOS MESMOS
No tribunal do peito, em voz contida,
A tese é o silêncio que se impõe:
Não grita a dor, não clama a despedida,
Apenas pesa onde o rumor não dói.
Calado, julga o mundo e sua lida,
Absolve o tempo, o amor que se corrói.
É lâmina sem fio, mas temida —
Corta mais fundo quando nada ressoa, depois.
Falo, e o vazio me devolve eco;
Me calo, e o todo enfim se faz inteiro.
No mudo acordo, o ser não fica oco:
Há um dizer sem som, quase estrangeiro.
E aprendo, neste acordo seco,
Que o silêncio é tese, não desvio ligeiro.
elio candido de oliveira
Enviado por elio candido de oliveira em 22/07/2026