
Meu mundo gira torto, sem eira nem beira,
Calendário rasgado, relógio sem hora.
Acordo meio sonho, meio desespero,
E a vida me empurra, diz: "vai embora".
Tenho fome de riso, sede de absurdo,
Coleciono caos em gaveta vazia.
Cada dia é um circo, eu sou o palhaço,
Que tropeça na corda e aplaude o dia.
Mas na bagunça eu acho minha ordem,
No ruído, uma nota que me acalma.
Louco é quem vive com o freio na mão,
Eu prefiro dançar com a casa em chamas.
Se o juízo é prisão, eu rasgo o alvará:
Meu mundo é louco, mas sabe onde está.