Textos
LEMBRANÇAS

Minhas lembranças moram num quintal antigo,
Onde o tempo descalço ainda corre a brincar.
Têm cheiro de café coado e de abrigo,
E vozes que se foram, mas insistem em ficar.
Guardam o riso farto, o choro contido,
O primeiro amor, que não soube terminar,
A mão que me guiou quando eu andava perdido,
E os sonhos que ousei, mesmo sem realizar.
Não são tristes, não. São mansas como prece,
São o que restou de mim quando o mundo doeu,
São farol aceso quando a noite me anoitece.
Levo-as no peito, não por apego ao que morreu,
Mas porque é lembrando que a alma reconhece
Quem eu fui, quem eu sou, e tudo que me fez ser eu.
elio candido de oliveira
Enviado por elio candido de oliveira em 24/07/2026