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Chegam de sorriso manso, com cesta na mão, dizem que é caridade, mas cobram com o coração. Não é fome que os comove, é a urna que os chama, trocam arroz por silêncio, e dignidade por drama. Um quilo de comida vale um flash, vale um pose, o pobre vira cenário no palanque do algoz. A foto sai bonita, legenda de bom moço, "Amando o povo meu", mas o pão vem com caroço. Porque quem dá comendo e pede voto em troca, não mata a fome do povo, alimenta a própria boca. Abuso tem nome feio: compra, engodo, mentira. Transforma fome em curral, e esmola em coleira. Meu voto não se vende por um prato de lentilha, quem precisa de comida precisa de escolha, não de esmola com coleirinha. Se fosse caridade mesmo, não precisava de foto, não precisava de palanque, nem de voto anotado no coto. Quer ajudar de verdade? Ajuda sem câmera. O resto é abuso disfarçado de bondade sincera.