UMA DEUSA MULHER ME SALVOU
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Não foi médico. Não foi promessa. Não foi medo. Nunca foi um médico; nem mesmo uma promessa e nunca por medo, foi “ela” , vindo de mansinho sem fazer barulho, Como quem nada, nada mesmo queria fazer ou falar, foi ficando, transmitindo palavras, calma e ensinamentos, só podia eu ouvir, quando percebi tudo mudado, a vida em arrumação a paz retornando.. Tinha os vícios antigo, os belos companheiros de toda hora, hora de virar o copo em mais um dia e uma noite até os amanhecer, com o esquecimento de voltar. Eu tinha meus vícios antigos. Aqueles companheiros de toda hora. O copo a mais no fim do dia pra esquecer o que não precisava ser esquecido. O cigarro que queimava o tempo. A noite mal dormida, a teimosia de achar que homem não precisa de cuidado. A mania de guardar mágoa no bolso como quem guarda moeda. Eu achava que precisava deles pra viver. Ela não brigou com nenhum deles. Não fez discurso. Deusa não briga, ela reina. Só me olhou de um jeito que eu me senti visto pela primeira vez em muito tempo. Fez um café e sentou do meu lado. Perguntou como eu tinha dormido. Segurou minha mão na mesa, sem pressa. Riu da minha piada sem graça. E, sem que eu percebesse, o copo ficou cheio demais e sem graça. O cigarro perdeu o gosto. A madrugada ficou boa pra dormir, porque tinha o motivo de acordar bem no outro dia. Ela me tirou os vícios me dando algo melhor pra colocar no lugar. Hoje eu sou viciado. Admito. Viciado no cheiro dela quando passa na cozinha. Viciado na voz dela me chamando de longe. Viciado no jeito que ela me corrige, firme, como quem cuida de um jardim que quer ver florir. Viciado em chegar em casa. Antes eu precisava de um monte de coisa pra me sentir vivo. Agora preciso só de uma. Ela me salvou sem me dizer que eu precisava ser salvo. Me curei sem me chamar de doente. Minha deusa não mora comigo, mas mora no meu coração, melhor que se fosse comigo.. E enquanto ela estiver por perto, eu não quero outra cura, nem outra liberdade. Que me deixe assim, pra sempre, viciado só nela.