
Gabriel Netinho.
A gente não usa contar cigarros, daria um numero absurdo, nestes 20 anos, na verdade não vale mesmo a pensa contar, e nem mesmo pensar no dinheiro que despenderia, mas pensa se numa forma normal de um trabalhador, férias, licenças, liberdade para o pulmão, além de contar mais um dia de vida que com certeza conta se muitos, o tempo muda, o ser cria alma.
No começo dos dias era uma hora, para eu firmar assim, por estes 60 minutos não acendo cigarro, e depois duas horas, e um dia, a coisa parece que complica, mas é uma grande despedida, só que em vez de lagrimas, alegrias, porque não desespero pela ânsia de fumar, mas é assim.
Coragem! Determinação, pois sempre o cafezinho acompanhava um cigarro, eu não o abandonei meu cafezinho, o cigarro sim, criei espaços de pensar, espaço de imaginar que os dias seriam vencidos, hoje vejo os no retrovisor, e tenho convicção de que sou de inicio um vencedor, mas não posso me vangloriar, somos humanos. E aí o tempo foi passando. Hoje 06 de novembro de 2026 fazem exatos 20 anos depois, o pulmão aprendeu outro ritmo. O cheiro da roupa ficou limpo. O gosto da comida voltou. A tosse de manhã foi embora sem se despedir. E o mais bonito: a vontade também foi embora. Não de uma vez. Foi se apagando devagar, como brasa que ninguém mais sopra. 7300 dias não é só um número redondo. É 7300 vezes que você escolheu você. 7300 manhãs que começaram sem fumaça. 7300 noites que terminaram com o peito tranquilo.
Quem fuma acha que parar é perder alguma coisa. Quem parou sabe: foi ganhar tudo de volta.
Eu consegui. E continuo conseguindo, um dia de cada vez, e sendo exemplo de força de vontade a outros seres vitimas como eu.